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Nossa História

Escola Nova Sociedade: história em movimento
A ocupação da fazenda Itapuí aconteceu ao amanhecer do dia 13 de outubro de 1987, quando chegaram as primeiras 15 famílias vindas do grande acampamento da fazenda Annoni (Ronda Alta/RS). Este grupo resistiu até maio de 1988, quando chegaram as outras famílias provindas de uma área da UFPEL (Universidade Federal de Pelotas), totalizando 68 famílias. Pouco depois, em 22 de julho de 1988, esse grupo de acampados finalmente conquistou o sonho de ter seu pedaço de terra. Em seguida, as famílias reuniram-se em assembleias para decidirem juntas a viabilização do assentamento, ou seja, organizar a produção e os recursos recebidos, bem como a necessidade de pensar como seria o processo de educação das crianças, no âmbito escolar.
Muitas foram as dificuldades enfrentadas pelas crianças e adolescentes assentados para ter acesso à educação, as primeiras aulas foram ministradas de baixo de barracos, de árvores e até mesmo nas antigas baias de cavalos por voluntários do próprio assentamento que possuíam uma formação maior.
O desafio de termos uma escola no assentamento não foi nada fácil. As autoridades se apegavam a alguns fatos para inviabilizar a escola, como a existência de uma escola rural – A Dias Martins, distante 4 km do assentamento, mas sem transporte escolar e os educandos tinham de fazer este trajeto a pé. Essa escola, além de ter apenas uma sala de aula (multisseriada), não possuía as condições mínimas de funcionamento para propiciar aos assentados uma educação transformadora e a construção de uma vida mais digna para seus filhos.
Finalmente, em 1990, após muita luta, os trabalhadores do Movimento conseguiram a tão sonhada escola dentro do assentamento. O nome da escola foi discutido e escolhido em assembleia, representando a realização de um sonho que vinha sendo semeado desde o acampamento na fazenda Annoni.
                                                                                               (Assembleia)
O decreto de Lei 33,720 cria a escola Nova Sociedade no dia 13/11/1990. Em 1991, recebe autorização de ampliação para 7ª e 8ª séries. A escola foi erguida num terreno de um hectare doado pelo INCRA (instituto nacional de Colonização e Reforma Agrária). O prédio começou a ser construído em 1990 e as obras encerraram em meados de julho de 1992.

                                                                               (Primeiras fotos da Escola)
Em 1996, a escola foi desafiada pelo Setor de Educação do Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a ser a Escola Base das Escolas Itinerantes dos Acampamentos do MST do Estado do Rio grande do Sul. Uma conquista do povo trabalhador e de todas as famílias acampadas, pois todas as crianças acampadas agora teriam acesso a uma educação de qualidade.

                                                                                                   (Escolas Itinerantes)
Em março de 2005, passa a ser denominada Escola Estadual de Ensino Médio Nova Sociedade, tendo em funcionamento a primeira turma de ensino médio, mais uma conquista deste povo que não desiste de lutar pelos seus direitos e por uma sociedade mais justa e igualitária.


(Primeira turma de Ensino Médio)

Mesmo com todas as dificuldades a escola Nova Sociedade sempre colaborou cedendo espaço e pessoas para viabilizar a luta pela reforma agrária, envolvida e incentivada pela participação da comunidade nos debates e decisões, bem como pelo apoio ao MST.
A proposta pedagógica da escola vem sendo construída a partir dos princípios filosóficos e pedagógicos do MST, tendo como finalidade principal a formação humana, a cooperação, a solidariedade e organização/participação, vinculada à luta popular, assim como se constitui um centro cultural que busca resgatar e fortalecer a identidade do trabalhador (a) do campo.
(Débora H. D’Avila e Débora Fochezatto)
“Os camponeses voltaram com uma decisão inquebrantável de lutar até vencer ou morrer,
rebeldes até a morte ou a liberdade.” (Che Guevara)


                  "Um povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la." (Che Guevara)



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